domingo, 9 de março de 2014

COLETIVOS INFRINGENTES (DEVANEIOS DE UM MO(R)TORISTA)


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O coletivo de coletivo é individual!

 
Um enxame de veículos em um trânsito zangado,
Uma frota de zangões rosnando desesperados.
Ligo o rádio, mas só ouço buzinas,
É melhor uma música para aliviar a estafa...
Mas esse tal de Lepo-lepo fez efeito ao contrário,
Uma pressão doze por oito está cada vez mais rara.
 
 
O coletivo de coletivo é individual!
 
E Essa vã tentativa de aliviar o cansaço.
Se essa rua, se essa rua fosse minha ...
Levanto os vidros e ligo o ar,
Notícias de última hora que vêm do mundo de lá,
Vamos ouvir o que é que há...  
Uma multidão de devaneios em uma porção de embargos,
Uma quadrilha não é quadrilha no superior tribunal.
 
O coletivo de coletivo é individual!
 
A gasolina está acabando e minha paciência também,
Maldita prestação, maldito IPVA, maldita maldição...
Onde queremos chegar?
E esse coletivo infringente, neste trânsito infernal...
Ainda compro uma bicicleta para fugir desse bacanal.
 
O coletivo de coletivo é mesmo individual!
 
(Giezzy)
 

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

DO ESCRITÓRIO AO BOTECO













Assim, assado,
Cozido, frito ou requentado,
Na chapa, na braza ou defumado,
Tim, tim por tim, tim.
Conversa mole pra boi dormir.

Giezzy




quinta-feira, 21 de novembro de 2013

POLITICAMENTE CORRETO: A ARTE DE SE FINGIR DE MORTO




O politicamente correto consciente, ou inconscientemente, cobrado numa época em que "não" se pode discordar da "ideologia" do outro, está gerando aquilo que George Orwel, em seu livro "1984", chamou de "NOVALÍNGUA" - língua criada para fazer com que as pessoas falassem somente aquilo que era de interesse do governo ditador, que se intitulava de “O Grande Irmão" (Big Brother). 

Em certa passagem do livro, o funcionário do governo responsável por atualizar o dicionário, e a "língua nacional", fala sobre a atualização da "novalíngua":

Tenho a impressão de que imaginas que o nosso trabalho consiste principalmente em inventar novas palavras. Nada disso! Estamos é destruindo as palavras - às dezenas , às centenas, todos os dias. Estamos reduzindo a língua à expressão mais simples. A décima primeira edição não conterá uma única palavra que possa se tornar obsoleta até 2050.

Com o advento do politicamente correto, a ficção de George Orwel parece estar se tornando realidade: o nosso repertório linguístico está ficando cada vez mais coeso, porém incoerente com as nossas "verdadeiras" convicções, tudo por causa da 'praga' do politicamente correto. Estamos nos policiando cada vez mais quando tratamos de assuntos ditos "polêmicos". Consequentemente, está cada vez mais difícil mandar alguém àquele lugar (perceberam? nem consigo mais falar que lugar é esse).


(Giezi)

quarta-feira, 10 de julho de 2013

DICA GRAMATICAL: HOMOGRAFIA E HOMOFONIA LEXICAL

As palavras podem acionar significados diferentes a depender do contexto em que estão inseridas.

Palavras homófonas são aquelas que apresentam igualdades fonéticas, mas grafias diferentes:
Ex: Cheque -  será substantivo quando se referir a documento que indica ordem de pagamento ao portador; será verbo quando indicar ação de checar;
       Xeque -  lance típico do jogo de xadrez.

Palavras homógrafas apresentam igualdades na escrita, mas pronúncias diferentes:
 Ex: Almoço [almôço] - substantivo
       Almoço [almóço] – verbo
Atenção: a acentuação dessas palavras aqui se deu apenas para indicar o timbre fechado e aberto, por isso que estão entre colchetes.

Palavras Homógrafas-homófonas, ao mesmo tempo, apresentam igualdades na grafia e na pronúncia:
 Ex: Cheque:  documento que indica ordem de pagamento ao portador – O cheque que me passou foi sustado.
       Cheque: do verbo checar – “Cheque a máquina antes de  iniciar o trabalho".

quarta-feira, 26 de junho de 2013

















ODE NORDESTINA

Minha terra tem mandacaru,
Onde canta o carcará;
O sol que nos castiga,
Também dá vida ao brilhar;
Sal a gosto a escorrer e petróleo a minar.

As praias que aqui existem,
São tão belas quanto o mar.
Tempo azul, verde e cinza, poemas ao luar;
A alegria que aqui floresce
Contagia o lugar.

Povo forte, hospitaleiro,
Muitos filhos pra criar;
Cafezinho e tapioca, rapadura e mungunzá,
Angu, feijão de corda, camarão e vatapá;
Um convite a ouvir, uma rede a balançar.

Nosso céu produz estrelas;
Faltam dedos pra contar:
Anjos, Barbosas e Bandeiras;
Clarices, Suassunas e Amados;
Andrades, Guidos e Gonçalves;
Marinas, Alexandres e Giliardes;
Gonzagas, Ivetes e Ramalhos;
Danielas, Margarethes e Azevedos;
Bethanias, Pitys e Raús;
Caetanos, Djavãns e Chicos Science.
  
Minha terra tem alegria,
Anísios, Tons e Shaolins;
Espantas, Muções e Zés Lezin.
São João, frevo e maracatu;
Carnatal, Fortal e Pré-caju.

Minha terra tem Cascudo
E histórias pra contar;
Mitos, lendas e parlendas;
Muita fé, rezas e patuás,
Elas não costumam “faiar”.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que torne a apreciar,
A barragem, a lagoa, o rio e o mar;
O xique-xique florescer, a ema correr
E o canto do carcará.


(Giezi)