domingo, 26 de julho de 2015

ABSENTEISMO

 
Te
Ente
Presente
Profissionalmente
Competente
Heroicamente
Constantemente
Silenciosamente
Obviamente
Deficiente
Pressente
Consente
Consequentemente
Mente
Veemente
Fortemente
Incansavelmente
Frequentemente
Indiferente
Ausente
Doente
Sente
Ente
Te
E
Diferentemente
Motivadamente
Amavelmente
Sinceramente
Socialmente
Legalmente
Igualmente
Influente
Presente
Ente
Te


quinta-feira, 23 de julho de 2015

ESTRANHISMO


Tem gente seriamente estranha
Tem gente estranhamente séria
Tem gente infelizmente séria
Tem gente seriamente infeliz
Tem gente infelizmente estranha
Tem gente estranhamente infeliz
Tem gente séria e extremamente feliz
Tem gente feliz e extremamente séria
Tem gente extremamente estranha, mas feliz
Tem gente extremamente feliz, mas estranha
Gente estranha, mundo estranho
Mundo estranho, gente estranha

(Giezzy)

sábado, 18 de julho de 2015

POSSIBILIDADES



Não é de hoje que o homem vem observando a natureza para desenvolver ciência. Observando os insetos a ciência pode discutir física, projetar máquinas para voar e até construir discursos sobre virtudes, manias e moralidades, como podemos verificar na fábula da cigarra e da formiga, por exemplo. Há algum tempo os físicos vêm tentando decifrar o segredo da aerodinâmica das abelhas, um dos animais mais impressionantes quando se trata da arte de voar. A pergunta era: como um animalzinho com asas pequenas e a bunda grande consegue se manter no ar, mesmo quando sujeitas a fortes ventanias?  Os cientistas descobriram, no entanto, que o segredo está no movimento das asas que ao se movimentarem criam vórtices, espécie de redemoinho, no ar. Mas para realizar esse efeito os cientistas descobriram que as asas das abelhas são rígidas na frente, mas flexível e dobrável na parte de trás. O fato é que as abelhas voam e não estão nem aí para a física e as teorias sobre a dinâmica do voo, mas a gente necessita dessas experiências. Contemplar a natureza ainda é a melhor forma de produzir ciência. As respostas para muitos dos problemas mundanos estão no meio ambiente, o que nos falta é um pouco mais de atenção e humildade.

Moral da história: o impossível pode ser possível. As abelhas estão aí para provar.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A VIZINHA DO TERCEIRO ANDAR


 
Ela morava no terceiro e último andar daquele condomínio, onde cada andar comportava três apartamentos de três quartos. Não eram luxuosos, mas os ambientes eram espaçosos e requintados.
Aquela senhora vivia só e estranhamente era a única moradora daquele andar. Os apartamentos vizinhos ao dela estavam sempre vazios, apesar de despertarem o interesse de muita gente em alugá-los ou comprá-los, mas o que impedia parecia ser aquela senhora insuportavelmente arrogante.
O primeiro e segundo andares tinha as mesmas características do terceiro, a diferença era que aqueles estavam sempre ocupados e seus ocupantes eram totalmente displicentes, barulhentos e deveras inadimplentes, contudo eram bastante unidos em alguns aspectos, principalmente quando se tratava de falar da vizinha do terceiro andar. Que mulher insuportável era aquela senhora do último andar...
Os problemas no condomínio eram muitos: falta de pagamento das mensalidades, barulhos, infiltrações, animais de estimação e desrespeito às vagas de estacionamento, contudo as atenções estavam sempre voltadas para aquela vizinha do terceiro andar e seu ar de superioridade.
Aqueles que moravam no segundo andar eram “muito legais”, adoravam estar no piso imediatamente superior. A ideia de pisar naqueles que se encontravam no andar de baixo lhes davam um enorme prazer. Não se importavam com as reclamações dos vizinhos da parte de baixo, que eram torturados cotidianamente, principalmente no período noturno, em que os toc-toc dos benditos e perturbadores sapatos de salto alto de 500, 00, comprado em suaves prestações nas lojas Marisas, configuravam-se em uma verdadeira tortura psicológica. Mas apesar de toda a perturbação dos vizinhos do segundo andar, nada se comparava a arrogância daquela senhora do terceiro andar.
Pelo fato de ser a única naquele andar, não dividia o elevador com ninguém. Se o elevador estivesse ocupado ela esperava para que pudesse ficar sozinha. Nos primeiros dias as pessoas estranharam o comportamento da vizinha solitária do terceiro andar, mas depois passaram a ignorar e depois desprezar. Ao cruzar com as pessoas no estacionamento do prédio, ela virava o rosto para o outro lado e não respondia aos constantes bom dia e boa tarde dos vizinhos que já o fazia não mais por educação, e sim por pura ironia. O que incomodava de verdade era aquele ar de superioridade da vizinha do terceiro andar. Aquela mulher era realmente insuportável.
Certo dia, misteriosamente, a vizinha do terceiro andar não mais passou a ser vista no elevador, nem no estacionamento e muito menos no condomínio. Os primeiros dias foram um alívio para os moradores do primeiro e segundo andares mas após uma semana aquela arrogante senhora passou a incomodar não mais pela sua presença, mas pela ausência. Naquele ambiente não se falava em outra coisa que não fosse o desaparecimento da vizinha do terceiro andar.
Ela era a única que respeitava as regras do condomínio.
Giezzy

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O TEMPO E OS DISCURSOS



Gosto muito desta canção. Ela resume um pouco do que venho pensando, lendo e estudando, há algum tempo, acerca do sentido que atribuímos às coisas ao nosso redor. A edição feita pelo Deyvid Miranda ficou muito boa também. A relação entre as imagens e a letra deram um refinamento ao discurso exposto na música. Clique no link abaixo para assistir ao clip.





Sobre o Tempo
(Banda: Nenhum de Nós)

Os homens trocam as famílias
As filhas, filhas de suas filhas
E tudo aquilo que não podem entender
Os homens criam os seus filhos
Verdadeiros ou adotivos
Criam coisas que não deviam conceber

O tempo passa e nem tudo fica
A obra inteira de uma vida
O que se move e
O que nunca vai se mover.. êê,êê
O tempo passa e nem tudo fica
 
A obra inteira de uma vida
O que se move e
O que nunca vai se mover.. êê,êê
Se mover... êê,êê

O passado está escrito
Nas colunas de um edifício
Ou na geleira
Onde um mamute foi morrer
O tempo engana aqueles que pensam
Que sabem demais que juram que pensam
Existem também aqueles que juram
Sem saber

O tempo passa e nem tudo fica
A obra inteira de uma vida
O que se move e
O que nunca vai se mover... êê,êê
(3x)